O que é longo prazo para você? Um ano? Dois? Cinco? Dez anos?
O conceito de longo prazo é bastante relativo. Quando falamos em longo prazo para aplicações financeiras, estamos falando de 2 anos. Quando o assunto é o desenvolvimento sólido de uma carreira profissional, a coisa é um pouco diferente: 10 anos ou mais. De qualquer forma, o que importa não é o tempo em si, mas sim o modo de agir perante uma ideia, proposta ou problema. Sem planejamento, paciência e determinação não há longo prazo, apenas atitudes isoladas que não pertencem a um plano maior e que, na maioria das vezes, são tomadas por impulso e movidas pelo imediatismo.
A história que vou contar abaixo é um exemplo de como um planejamento de longo prazo bem feito e seguido à risca levou a resultados extraordinários que não teriam sido alcançados caso a abordagem tivesse sido a famosa "construção do avião durante o voo".
É uma longa história - afinal estamos falando de longo prazo - e começa antes mesmo de eu decidir começar o processo de obtenção do visto de trabalho australiano. Quando comecei a analisar a possibilidade de trabalhar no exterior, fiz uma pesquisa sobre qual país ofereceria a melhor demanda por profissionais na minha área (desenvolvimento de software) aliada a bons salários. Nessa pesquisa o que fiz basicamente foi enviar emails prá brasileiros de todo canto do mundo perguntando sobre o mercado de trabalho local, pesquisar vagas para a minha área nos maiores sites de recrutamento de cada país e entender as possibilidades (ou não) de se conseguir um visto de trabalho para esses países.
Depois de me decidir pela Austrália, comecei o processo do visto, que levaria em torno de um ano e meio. Para esse período todo, tracei uma estratégia de estudos e obtenção de certificações baseada no que o mercado australiano pedia. Meu processo de visto foi extremamente rápido (saiu 5 meses depois da aplicação), mas só me mudei para a Austrália efetivamente 10 meses depois da obtenção do visto, porque decidi seguir meu plano inicial de estudos e qualificações.
Três meses antes da viagem, saí do meu trabalho para me dedicar somente à viagem: basicamente o que fiz foi estudar inglês, encerrar quaisquer pendências no Brasil, preparar procurações para meus pais, abrir conta bancária em Sydney e me despedir dos familiares e amigos.
Um mês antes da viagem, a busca por empregos começou. Comecei a estabelecer contatos com vários brasileiros da área de TI que estavam empregados na Austrália e sondei sobre os processos de entrevistas, currículos e salários. Consegui vários exemplos de currículos com eles, que usei para o meu ao padrão australiano. Tendo um CV inicial, me cadastrei nos principais sites de recrutamento recomendados pelos brasileiros que conheci e comecei a mandar o CV para as vagas que pareciam se encaixar com o meu perfil. Importante frisar que para cada vaga normalmente foi preciso adaptar várias coisas no CV, por isso o processo de aplicação para cada vaga levava em média 20 minutos.
Todo dia eu recebia avisos de novas vagas e aplicava para as que considerava interessantes. Apliquei para um total de 93 vagas e obtive em torno de 40 respostas, tanto positivas quanto negativas (muitos nem me retornaram). Por fim, estava participando de 12 processos ainda no Brasil, fazendo entrevistas por telefone ou Skype. Dos 12 processos, 5 já tinham entrevista marcada para a minha primeira semana na Austrália.
Desembarquei em Sydney na Terça-Feira, dia 22/02/2011, e na Quarta-Feira já tinha duas entrevistas. Na primeira já recebi uma proposta que considerei boa e fiquei tentando a aceitar, mas não o fiz de imediato. Fui para a segunda entrevista e lá pedi o mesmo valor que me havia sido oferecido na primeira e a resposta foi que era um valor muito alto para o meu nível de experiência. Foi a confirmação que faltava para que eu aceitasse de vez a proposta anterior.
Hoje, três meses depois, já estou no meu segundo emprego em Sydney e, junto com minha namorada, estamos numa situação extremamente confortável em todos os aspectos.
Quer melhor exemplo de estratégia de longo prazo bem sucedida? Bastantes brasileiros decidem que querem ir trabalhar na Austrália mas não têm a paciência e a força de vontade para fazer o processo todo do visto de trabalho - em outras palavras, não sabem lidar com o longo prazo. O que essas pessoas fazem normalmente é pagar um curso de inglês de alguns meses e viajar com o visto de estudante, que sai em menos de um mês - olha o imediatismo aí! Acontece que, ao chegar à Austrália, se deparam com um mercado de trabalho que, se por um lado é extremamente aquecido, por outro não dá a menor chance (salvo raríssimas exceções) para quem tem visto de estudante. Aí cai a ficha e a pessoa se arrepende por ter vindo no impulso.
Não importa se o longo prazo para o seu projeto, ideia ou problema é 1 mês ou 10 anos. O importante é ter um planejamento, segui-lo à risca e manter-se focado sempre no resultado final, mesmo quando as coisas parecerem distantes e inatingíveis.
Quem quiser entrar em contato para perguntar sobre qualquer coisa (posso inclusive ajudar com o processo de visto!), por favor fique à vontade. É sempre um prazer poder ajudar e fazer novas amizades.