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quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Modos de Contratação na Austrália: Permanent (CLT) vs Contractor (PJ)

Uma pergunta que recebo frequentemente é a respeito dos tipos de vínculo empregatício na Austrália. No Brasil é muito comum, na área de TI, o "modo PJ", e por isso o pessoal de TI sempre me pergunta se isso também existe por aqui.

A resposta é SIM, existe. O que a gente chama de PJ no Brasil aqui é chamado de Contractor, enquanto o famoso CLT do Brasil aqui se chama Permanent. As características básicas de cada modo de contratação são iguais ao que acontece no Brasil: Contractor tem um salário maior, mas só ganha por dias trabalhados e não tem a estabilidade de um Permanent. No entanto, algumas coisas são bem diferentes do Brasil. Segue abaixo um resumo das características de cada modo de contratação:

PERMANENT:
- O salário é definido em valor por ano (não por mês, como no Brasil). Exemplo: 150 mil dólares por ano
- Tem 4 semanas de férias por ano
- Tem 10 dias úteis pra serem abonados durante o ano (chamados de "sick leave"), mas que não são reembolsáveis caso não sejam usados (algumas empresas reembolsam, mas não é comum)
- Tem benefícios como bônus anual, treinamentos, plano de carreira, convênios com empresas parceiras (academias, cinemas, clubes etc). Importante lembrar que os benefícios variam de empresa pra empresa e não são obrigatórios por lei
- Não há décimo terceiro nem auxílios refeição/transporte/etc
- O empregador paga a aposentadoria obrigatória (que aqui é chamada de Superannuation, mas é o equivalente ao INSS brasileiro)
- Tem mais estabilidade que Contractor
- O período de aviso prévio para Permanent é definido por lei e varia conforme o tempo de empresa do funcionário: até 1 ano de empresa tem 1 semana de aviso prévio; de 1 a 3 anos de empresa tem 2 semanas; de 3 a 5 anos de empresa tem 3 semanas; mais de 5 anos de empresa tem 4 semanas. Esses valores valem pros dois cenários: funcionário sendo demitido ou pedindo demissão.

CONTRACTOR:
- O salário é definido em valor por dia (também é diferente do Brasil). Exemplo: 800 dólares por dia
- Recebe por dia trabalhado, o que significa que férias não são remuneradas
- Normalmente não tem nenhum dos benefícios de um Permanent, mas isso varia de empresa pra empresa (a empresa em que estou atualmente, por exemplo, tem plano de carreira e treinamentos pra Contractors, o que não é muito comum)
- Tem menos estabilidade que Permanent, já que o contrato costuma ser por projeto - ou seja, quando o projeto acaba há uma grande chance de que o contrato não seja renovado
- O aviso prévio é negociado no contrato, mas geralmente é de 4 semanas. No entanto, não há nenhuma lei a respeito, depende apenas do que a empresa pode oferecer (ela pode até mesmo oferecer um contrato sem aviso prévio nenhum, o que é terrível pro funcionário, mas não é ilegal)
- Assim como Permanent, não há décimo terceiro nem auxílios refeição/transporte/etc
- O empregador também paga o Superannuation, assim como acontece com quem é Permanent (diferente do Brasil, em que PJ não tem pagamentos de INSS efetuados pelo empregador)
- Diferentemente do Brasil, não é necessário abrir uma empresa pra trabalhar como Contractor, e os impostos são exatamente os mesmos que os de um Permanent
- Posições de gerenciamento são mais raras nessa forma (Gerente de Projetos até tem, mas acima disso é praticamente tudo Permanent)

Em resumo, as vantagens de ser Contractor são que o profissional ganha mais (de 30 a 40% a mais em média), constrói um networking bem maior por estar sempre mudando de empresa e tem contato com pessoas e tecnologias diferentes o tempo todo. Por outro lado, as vantagens de ser Permanent são que o profissional tem mais estabilidade e tem os benefícios que os Contractors geralmente não têm.

Esses são os dados factuais, mas agora vou partir pra minha opinião: eu só trabalho como Contractor e acho que as vantagens valem muito mais a pena que as desvantagens. Atualmente estou no meu quarto contrato em três anos e meio de Austrália e nunca fiquei um dia sequer desempregado (sem exagero, sempre encerrei um contrato na sexta e já comecei outro na segunda seguinte). O segredo é que sempre tive 4 semanas de aviso prévio, que é tempo mais que suficiente pra conseguir um novo contrato. Pode ser que um dia eu me canse dessa vida de ficar mudando de empresa praticamente uma vez por ano, mas por enquanto ainda acho que a diferença salarial vale o risco.

Tenho amigos nas duas modalidades de contratação e cada um tem seus motivos pra preferir um ou outro. No fim das contas é algo bem pessoal, o importante é saber que existem diferentes possibilidades e analisar qual se adapta melhor ao seu momento.


segunda-feira, 7 de julho de 2014

A Austrália em Clima de Copa!

Em países onde o futebol é popular, é inegável que, no momento, a Copa do Mundo é assunto de praticamente qualquer conversa. Mas e na Austrália, onde a televisão dá 99% da atenção esportiva ao rúgbi, ao críquete e ao futebol australiano (AFL), qual a popularidade e o alcance da Copa do Mundo?

Tenda pública transmitindo jogos ao vivo e reprises 24h por dia
Respondendo em uma palavra: SURPREENDENTE. Sim, eu fiquei realmente surpreso ao ver o quão por dentro da Copa os australianos estão. Os principais motivos pra isso são os seguintes:

1- A boa campanha da seleção australiana --> o time era cotado pra ser o grande saco de pancadas da Copa, já que caiu num dos piores grupos, com Holanda, Espanha e Chile, mas surpreendeu todo mundo: fez um segundo tempo fantástico contra o Chile e não conseguiu arrancar o empate por falta de sorte; ficou na frente contra a Holanda e dominou grande parte do jogo, mas tomou a virada por causa dos talentos individuais holandeses; contra a Espanha o time já estava desclassificado, claramente abatido e sem sua principal estrela, Tim Cahill (que, a propósito, marcou um dos gols mais bonitos da Copa contra a Holanda), e acabou perdendo feio. Se tivesse caído em um grupo menos complicado, teria chegado às Oitavas sem maiores dificuldades. 

2- O grande número de imigrantes no país --> por motivos óbvios, isso é um grande popularizador da Copa do Mundo, já que os grupos de imigrantes se reúnem pra assistir, conversam sobre isso o tempo todo com imigrantes e locais e até explicam o futebol pra quem não conhece.

Decoração da Copa em um Shopping perto do meu trabalho
3- O fato de que o futebol é o esporte mais praticado no país --> Esse é, pra mim, o principal motivo. Na Austrália, o futebol só não é grande no mainstream, ou seja, na "Globo, SBT e Record daqui", que só transmitem rúgbi, críquete e AFL. Apesar disso, é o esporte mais praticado no país de forma amadora - o número de campeonatos que existem aqui em Sydney, por exemplo, é impressionante! Eu jogo em um toda quinta-feira mas já fui convidado pra jogar em vários outros (não por ser craque, simplesmente por ser brasileiro... haha).

O escritório do projeto tá todo em clima de Copa
Falando em ser brasileiro, não posso negar que, como todo bom brasileiro fanático por futebol, fico feliz em ver o esporte crescendo por aqui. Outro dia estava conversando com um motorista de ônibus, um chinês que veio pra cá mais de 20 anos atrás, sobre a Copa do Mundo e o quanto ele era fã do Messi. Sábado passado fui à drogaria em que sou cliente e o dono me conhece e, pra variar, o assunto foi a Copa. Massa. :)

O clima extrapola as ruas e chega aos ambientes de trabalho. O projeto onde estou trabalhando atualmente é gerenciado por uma inglesa fanática por futebol e conta também com um francês, um chileno e dois holandeses que são tão fanáticos quanto ela. Os australianos do projeto não ficam pra trás: sabem tudo da Copa - alguns até acordaram de madrugada pra ver os jogos da Austrália - e todo dia conversamos sobre os jogos, as possibilidades, os lances etc. Tem até um mini-bolão rolando entre eu, um australiano e um israelense - que, pasmem, manja muito de futebol! O escritório tá todo enfeitado em clima de Copa e semana retrasada rolou um almoço em que cada um teria que ir vestido com roupas e cores da sua seleção: 

Almoço em clima de Copa

 Nossa gerente, fanática que é, até pintou o olho.
Pelo jeito não adiantou nada a torcida, a Inglaterra foi embora rapidinho... hahaha

Ainda falando em "Copa no trabalho", semana passada tivemos os drinks trimestrais da empresa e o tema foi, como já era de se esperar, a Copa do Mundo. Rolou janta brasileira com direito a picanha e farofa e, no fim da noite, um campeonato de pebolim valendo uma camiseta oficial da seleção australiana:
 Obrigado, Copa... :D

Campeonato de Pebolim

Copa do Mundo é top demais, pena que é só de quatro em quatro anos... :(


terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

E a demanda em TI continua alta...

Recentemente li um artigo muito interessante sobre a demanda por profissionais de TI na Austrália. Eu li e deixei pra lá, mas hoje estava conversando sobre isso com o Davi, um amigo do Brasil, e percebi que é um assunto pertinente a muita gente, por isso decidi dar uma passada rápida por aqui pra compartilhá-lo.

O título do artigo é "Critical Skills Shortage in IT" e ele pode ser acessado AQUI. Recentemente tem rolado um falatório de que o mercado de TI na Austrália já está saturado, que não compensa mais investir no visto de residência etc etc etc. Eu não compartilho dessa opinião e esse artigo fala justamente sobre isso. TI está saturado quando o assunto é infra-estrutura, service desk e afins, mas bons desenvolvedores e arquitetos de software ainda estão em falta.

Eu e outros três colegas de trabalho que têm visto de residência e que, assim como eu, também só trabalham por contratos de tempo fixo, encerramos um projeto em Dezembro e caímos no mercado em busca de novos contratos. Dezembro e Janeiro são os piores meses do ano pra se procurar emprego aqui (acho que em qualquer lugar do mundo é assim), mas mesmo assim os quatro conseguiram contratos. Some a isso o fato de que em Janeiro eu recebi exatamente 5 emails e 3 ligações de recrutadores me perguntando se eu ainda estava interessado em um contrato, e eu pergunto: isso parece um mercado saturado pra você?


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Post Especial de Fim de Ano: Valeu a Pena?

O especial de fim de ano do blog é sempre sobre algum lugar top que visitamos, mas esse ano vou fazer algo diferente. Participo de uma lista de emails de brasileiros que trabalham com TI na Austrália (ou, em alguns casos, que ainda moram no Brasil mas estão correndo atrás do sonho) e, na metade de Julho, um dos participantes enviou o seguinte email ao grupo:

Galera, eu ainda estou no Brasil, mas gostaria de saber a opinião de quem já está na austrália. Valeu a pena todo investimento de tempo, dinheiro, mudanças na vida, mudanças na cultura e viver longe da família para realizar esse desafio de ir morar na austrália? Como vocês acham que suas vidas estariam se estivessem no Brasil?

É claro que todo mundo tinha algo a dizer, o que resultou em uma infinidade de respostas e acabou se tornando a thread de emails mais produtiva da história do grupo. Resolvi então fazer uma compilação das respostas mais interessantes, pertinentes e curiosas pra postar por aqui e o resultado acabou ficando interessantíssimo. Não fiz nenhuma análise ou conclusão, apenas uma compilação de respostas, mas garanto que vale a pena ler. Confiram!

(Obs: o admin da lista de emails me autorizou postar esse conteúdo sob a condição de que eu não divulgasse a lista e nem os nomes dos autores das respostas, portanto infelizmente não vou poder ajudar quem me escrever pedindo informações sobre ou querendo participar da lista de emails, fico devendo essa)


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Pra mim valeu e ainda vale muito a pena. Foi o segundo melhor investimento da minha vida, depois de ter um diploma em IT.

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Vivenciar essas mudanças na vida, cultura e passar por esse desafio é algo fantástico! Com certeza suas experiências trarão consequências para o resto de sua vida. Eu tenho uma opinião que se todos os brasileiros pudessem viver fora do Brasil, por menor tempo que seja, o Brasil poderia estar caminhando para uma direção melhor. Você vai expandir a sua mente, vai lidar melhor com diferenças, vai mudar conceitos, vai enxergar melhor!

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Muito já foi dito mas realmente só vale a pena se você valer a pena. Desde que você venha de mente aperta e preparado pros desafios com certeza valera a pena. Você vivera experiências que não terá no Brasil. O que não pode, eu isso eu vi de perto com um amigo meu, e ir morar fora mas com a cabeça e o pensamento lá no Brasil. Fácil não e mas com o tempo e paciência as coisas vão se encaixando. (...) No meu caso valeu muito a pena, a melhor decisão que eu já tomei, porem com eu disse, eu fiz valer a pena. O Malcolm X uma vez disse “Sitting at the table doesn’t make you a diner...”...e bem por ai!

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Tudo vai depender de como vc lida com os problemas e do quão é importante pra vc realizar esse sonho de morar fora. Estar longe de familia, amigos e sua cultura, tem seu preço..... e é alto. O período de adaptação é diferente pra cada um e tb depende das circunstâncias que cada um passa aqui. (...) Pra quem  morava no Rio e se cagava de medo de andar de carro, a pé, ônibus, etc... poder pegar busão e não se preocupar em perder seu iphone pra mim já valeu ter vindo! Fora todo o retorno que vc tem, como hospitais públicos, educação pública, ruas limpas e sem buracos, etc....

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Acho a resposta pra sua pergunta depende de como vc encara a vida e o que vc valoriza e suas experiências. O que posso dizer é que nem tudo são flores. Existem vários obstáculos e como disse anteriormente dependendo de como vc encara as coisas eles serão mais fáceis ou difíceis de serem superados.

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Pra mim ainda não valeu a pena mas tenho fé q ainda vou olhar pra trás e dizer q foi bom, por enquanto eh melhor nem pensar nisso pra não dar depressão já q gastei muito dinheiro e tempo pra estar aqui... (...) Qdo cheguei aqui achei q seria mais facil aprender ingles e logo estaria no mercado de trabalho, pura ilusao, meu ingles nao era suficiente pra trabalhar, o q eu achava q era... Resumindo...sei q o ingles influencia muito por eu nao ter achado q vale a pena passar por tudo o q passei, se eu tivesse o ingles realmente bom tudo seria diferente.

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Resposta curta : Pra mim valeu a pena sim. (...) Trabalho num lugar bem maneiro, tenho a maldita experiência local, e uma rede de contatos que só cresce, moro num lugar fantástico que tem um parque em frente, onde sempre levamos nosso filho pra brincar, a minha vida é bem mais tranquila do que era no RJ. Posso sair de casa sem medo e parar o carro no sinal que ninguém vai meter um M-16 na minha cara. Sou soccer coach dos pirralhos do meu bairro, sempre consigo ir na escola pra pegar ou levar o meu filho. E o meu filho ??? Esse graças a Deus foi o que menos sofreu no processo, hoje o inglês do muleke é perfeito, como o meu nunca será, ele fala exatamente igual a um nativo, e os nativos não acreditam que ele chegou aki sem inglês. Ele está totalmente inserido na cultura, adora a escola que ele estuda, faz natação e futebol, já viajou mais internacionalmente do que eu.

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Na minha opinião toda experiência é valida! seja ela ruim ou boa. Essa é minha segunda experiência internacional e o que aprendi foi em qualquer lugar do mundo existem coisas boas e coisas ruins mas como bons brasileiros nos damos muito mais atenção as coisas ruins (principalmente relacionadas ao nosso país). Só percebemos quantas coisa boas nos temos ai no Brasil quando vivemos fora.

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Minha resposta é curta pois só cheguei aqui há 3 semanas, mas até agora valeu MUITO a pena... Cheguei aqui sozinho, sem família, e isso tem seu lado positivo e negativo:
- O positivo é que não há ninguém dependendo de mim e posso tomar a decisão que quiser, na hora em que achar melhor e ninguém além de mim será afetado, além do fato de não ter que me preocupar em como a outra pessoa está se sentindo, se não está gostando, enfim...
- O negativo é que tu não é de pedra e quando o calo aperta mais tu não tem ninguém mais próximo pra poder compartilhar e se sentir melhor. Ou seja, tem que aguentar a barra (pelo menos a inicial) sozinho. E o início tem seus momentos de deprê e de desânimo também.

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Comecei o curso de Inglês e só sabia fazer este trajeto de ônibus. Tinha pavor de me perder e não tinha a menor condição de falar com ninguém pra pedir informação. MUITO TÍMIDA, coisa que não sou. Com o passar dos meses comecei a ficar muito mal, achava que estava aprendendo Inglês muito devagar, morria de saudade do meu trabalho e da MINHA FAMÍLIA, nossa chorava, chorava e chorava. Comecei então a falar com outros brasileiros nas comunidades que entrava no Facebook, foi então que conheci uma pessoa que virou uma grande amiga, que me indicou pra trabalhar dando aulas de Português na ABCD. Foi maravilhoso, me senti viva de novo profissionalmente e estou lá até hoje, já faz um ano que estou com eles e adoro. (...) Quando voltei este ano das férias no Brasil , voltei diferente, mais animada, segura e confiante. Terminei mês passado meu curso com louvor e muitos elogios dos meus profesores, pois meu inglês melhorou consideravelmente, e a minha longa experiência me permitiu brilhar nas apresentações, pois amo o que faço. Já consigo atender e conversar pelo telefone, coisa que antes me apavorava, já resolvo várias coisas sozinha, no banco, na RTA, enfim MY LIFE IS BACK rsrsrsrs, e semana que vem espero começar a trabalhar como casual em child care como professora assistente. Já entreguei meus papéis pra recruiter e ela gostou de mim. (...) UMA DICA , NÃO SE ISOLE , POIS O ISOLAMENTO TE CEGA , TRAZ SOLIDÃO E VC NÃO PERMITE QUE PESSOAS TE AJUDEM, SEJA HUMILDE E SE DEDIQUE AO MÁXIMO EM RELAÇÃO AOS SEUS OBJETIVOS, TRACE METAS E DEFINA PRAZOS COM UMA CERTA FLEXIBILIDADE :-)

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Digamos que vc tem uma vida estável, tá relativamente bem empregado, mora bem, viaja de vez em qd, curte a vida e tudo o mais, aí vc separa 20 mil reais que estão guardados e investe em um novo negócio. Esse novo negócio não vai mudar em nada o que vc já tem: vc vai continuar trabalhando 8 horas por dia e exatamente na mesma coisa em que trabalha atualmente, vai continuar morando bem, viajando, curtindo a vida etc etc etc, mas em alguns meses vc vai recuperar esse capital inicial e a partir daí vc terá um considerável dinheiro extra entrando na sua conta todo mês. (...) É exatamente isso o que acontece com a maioria do pessoal de IT que tira o visto de residência e vem pra cá. Pra mim foi by far o investimento com maiores ganhos percentuais que fiz na vida. Aí vc soma todo o resto (aquela "lista infinita" da qual falei no começo do email) e fica ainda mais fácil concluir se valeu a pena ou não. :)

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Repondendo a pergunta original se valeu a pena, esta valendo muito pra mim. Arrependimento tenho apenas um: de nao ter vindo mais cedo pra ca :) Pra fazer valer a pena depende muito de nos. Eh soh mudando mesmo pra saber se vale a pena ou nao.

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A minha história é bem similar a da maioria. Caminho longo, com muita pedra no sapato, muita curtição no caminho e um sentimento de vitória no final.
Sempre foi claro que seria necessário resolver 3 problemas pra me sentir bem aqui:
1. Bancar as contas e ter uma sobra pra fazer o esforço valer a pena financeiramente.
2. Dar uma jeito da esposa se ocupar com algo que gostasse.
3. Fazer um esforço pra sair da zona de conforto e construir uma rede de amigos, mesmo que isto não fosse natural.
(...)
Emprego e dinheiro estão ai fora, só esperando pra quem quiser pegar. É muito fácil competir com os profissionais meia sola que tem por aqui.

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E, pra encerrar, um "resumo" que um dos membros da lista fez ao fim da discussão:

Pra solteiro é mais fácil, mas vários casos comprovam que é possível até mesmo com família.
Pra quem tinha vida boa no Brasil ou mordomia, aqui pode ter second thoughts, dolar custa caro.
Pra quem é muito ligado a família e amigos no Brasil, sente mais o peso da distância.
Pra quem veio aprender e trabalhar com inglês de verdade percebeu que na realidade é mais difícil do que parece. Mas ficando no Brasil é praticamente impossível.
Pra quem tá disposto a correr atrás, o resultado sempre aparece, mas não quer dizer que seja fácil ou rápido.
Pra quem abraçou a vida aqui com tudo, não quer voltar nem fodendo... 


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O Ambiente de Trabalho na Austrália (Parte 3)

Como já faz um ano que não posto nada na série "O Ambiente de Trabalho na Austrália" (a última vez foi em 27 de Agosto de 2011, veja o post AQUI), seguem algumas fotos que estão pra ser postadas há um bom tempo e ilustram mais um pouco sobre a cultura Aussie de trabalho.

Tudo bem que o post sobre trabalhar em um Campus Empresarial (veja AQUI) de certa forma se encaixa no assunto, mas não é "da série", então não conta. :-)

Bom, quem acompanha o blog já sabe que o ambiente de trabalho por aqui é bem tranquilo e a qualidade de vida está sempre em primeiro lugar. Ninguém se mata de trabalhar e a frase preferida dos australianos é "No Worries, Mate" (algo como "desencana, cara"). Dito isso, vamos a algumas fotos tiradas durante o expediente:

 Campeonato de pebolim

 Ensinando português pro Gregory, que sentava do meu lado.
Tem desde o básico "bom dia" até o clássico "fodeu!",
sem esquecer do "no worries, mate"

Na minha sexta feira de levar doces eu dei uma cara
verde e amarela à comilança: goiabada e paçoquita

Foi um puta sucesso, pessoal caiu matando e não sobrou nada!


terça-feira, 3 de julho de 2012

Trabalhando em um Campus

Um mês sem postar, é um recorde pro blog -  negativo, infelizmente. Junho foi uma correria do cão: viagem pra neve, apresentação de Ballet da Mi, final do The Voice, compra de imóvel no Brasil, dois fins de semana seguidos trabalhando... bom, acho que já é mais do que suficiente pra justificar porque o blog andou meio parado. Comentários bombando como sempre, mas nada de posts. Mas Julho promete ser mais tranquilo e vou encher de posts sobre esse monte de coisas que aconteceram em Junho. Pra voltar de leve, vou postar sobre como é trabalhar em um Campus.

O conceito de Campus Empresarial ganhou força e visibilidade com o Google, famoso por ter em seus campi uma variedade de atrativos e facilidades para seus funcionários: salões de jogos completíssimos, espaços para descanso, academias, massagem, quadras poliesportivas, trabalho ao ar livre e muitos outros "extras".

A Optus, segunda maior empresa de telecomunicações da Austrália, é onde estou trabalhando atualmente. Em 2007 houve uma unificação de quase todos os escritórios da Optus espalhados por Sydney. O resultado foi um campus gigante, um dos maiores do país, onde trabalham cerca de 7000 funcionários e que conta com:
- 7 prédios
- 9 restaurantes/cafes
- academia
- creche
- 2 áreas de churrasco
- quadras poliesportivas
- loja de conveniência
- caixas eletrônicos
- cobertura wi-fi em 100% do campus
- 2 andares de estacionamento
- auditório gigante
- muita área verde
- mesas de sinuca e pebolim
- XBOX
- salas de reunião com puffs
- e até um pub!!!

Infelizmente (ou felizmente?) o pub só vende bebidas alcoólicas a partir das 16hs de segunda a quinta e a partir das 12hs na sexta. De qualquer forma, toda sexta à tarde tem happy hour com música ao vivo e tá sempre bombando.

Como disse no início do post, trabalhei dois fins de semana seguidos em Junho e em um deles aproveitei pra levar a câmera e bater umas fotos do Campus.

Primeiro a parte externa, cheia de verde:














Um mural cheio de pins, é só colocar o pin no lugar de onde você veio.
Tem gente de todo canto, inclusive alguns brazucas!

Um dos cafes:

Outro cafe:

Mais um cafe ali no meio e, lá no fundo, o pub (Jam & Spoon):

Uma das áreas de churrasco:

Alguns dos restaurantes:

Mais restaurantes e, lá no fundo, a loja de conveniência:

Algumas fotos do interior dos prédios - a decoração é bem top:



Sala de reunião com puffs:

Será que uma reunião numa sala dessas rende?

Cada "cilindro" é uma sala de reunião










Até mesas de sinuca tem...

E A COBIÇADA SALA DO XBOX:



E, por fim, a academia:


Minha opinião sobre tudo isso? Não vou negar que é bem legal poder comer em vários lugares diferentes dentro do próprio campus, ter academia, ATMs e loja de conveniência à disposição, dar uma caminhada pra arejar a mente cercado de verde e trabalhar num ambiente todo moderno e decorado. É realmente um campus, com aquele clima parecido ao de uma universidade.

Mas olhando de fora é tudo um pouco ilusório, parece coisa de outro mundo e não é. No fim das contas, trabalho é trabalho, seja num campus completíssimo como esse ou em uma empresa numa sala comercial 4x4 no centro da cidade com 3 funcionários. Se você não gostar do que faz (não precisa amar, mas pelo menos tem que gostar) e não se sentir satisfeito com o que produz, não é um campus todo chique como esse que vai te trazer essa satisfação.