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terça-feira, 17 de abril de 2012

Um Neozelandês no Brasil

Muita gente (eu, por exemplo) vem do Brasil pra Austrália ou Nova Zelândia e faz um blog contando o quão melhor a vida é por aqui, mas algum tempo atrás eu vi esse texto de um neozelandês que fez o caminho inverso: saiu da Nova Zelândia e foi morar no Brasil. Ele conheceu a namorada brasileira na Nova Zelândia e quando chegou a hora de ela voltar pro Brasil ele decidiu acompanhá-la.

Não vou postar o texto aqui, pra quem quiser ler (recomendo, não é longo) está no blog "Nossa Vida na Nova Zelândia", da Jeanine Almeida. Vou apenas tecer alguns comentários sobre alguns pontos que me chamaram a atenção.


- "O Brasil é muito mais um país sobre 'quem você conhece' e não tanto sobre 'o que você conhece'" --> Em grande parte sim, infelizmente. De qualquer forma, ainda existe a meritocracia no Brasil, mas em escala bem menor que o famoso Q.I. ("quem indica"). Não que indicação seja algo ruim, afinal um profissional bom tende a indicar profissionais bons, mas ela deve ser fator secundário na hora de avaliar um possível candidato a uma vaga: antes de mais nada, a competência é o que vale.

- "O Brasil é como uma teia de aranha grande e complicada que conecta uma enorme gama de pessoas, mas que é impossível de ver ou compreender. Para conseguir um bom trabalho em uma empresa privada, você realmente precisa fazer parte da 'teia' correta" --> De novo, concordo que em grande parte é assim que funciona mesmo. Infelizmente, no Brasil o Q.I. muitas vezes é mais importante do que o conhecimento e a capacidade.

- "Tentar ganhar dinheiro é incrivelmente difícil" --> Não é. Pode não ser tão fácil quanto é na Austrália ou na Nova Zelândia, mas quem corre atrás e trabalha duro sempre chega lá e não é "incrivelmente difícil".

- "O salário mínimo aqui no Brasil é ridiculamente baixo e é um insulto, especialmente para aqueles que tem alguma formação. Na maioria dos casos, o salário mínimo só permite que uma pessoa possa sobreviver se ela viver com seus pais" --> Assino embaixo. Pra se ter uma ideia, o salário mínimo na Austrália é mais de 2 mil dólares (não sei o valor exato, até porque varia de estado pra estado, mas é por aí). O salário mínimo no Brasil nada mais é do que uma piada de mal gosto.

- "Um emprego na iniciativa privada (...) teve 200 candidatos e estava pagando o salário mínimo (...) e ela se decepcionou ainda mais quando descobriu que teria que pagar R$100 pelo 'privilégio' de fazer um exame de 3 horas em um domingo de manhã" --> Concordo com a decepção com o salário e com a concorrência. Discordo da reclamação sobre ter que pagar o exame: qualquer exame envolve custos e tem que ser cobrado (é assim em qualquer lugar do mundo).

- "Há muitos profissionais altamente qualificados aqui. Mas onde estão os postos de trabalho e onde está o salário que reflete as qualificações que muitas pessoas possuem é o que eu me pergunto" --> Sim e não. Profissionais altamente qualificados não ficam sem trabalho, tenho que discordar nesse ponto. Mas concordo plenamente com o que ele diz na segunda parte: onde está o salário que reflete as qualificações?

- "Eu aprendi a estar sempre atento ao que acontece à minha volta e nunca baixar a guarda. Isto pode ser muito cansativo e é algo que eu não costumava precisar fazer" --> Acho que quase todo brasileiro se identifica com esse trecho, que infelizmente é 100% verdadeiro.

- "Acima de tudo, o que mais me decepciona no Brasil são as histórias sem fim de corrupção (..) Eu não posso tolerar a injustiça ou abuso de poder que é o que está acontecendo em uma escala inacreditável no Brasil. De políticos a policiais e prefeito, a corrupção é ilimitada. Dê poder ou responsabilidade a alguém, combinado com acesso ao dinheiro, e a tentação de abusar dessa posição é vergonhosamente alta. Infelizmente, este país está tomado pelo câncer da corrupção no mais alto nível e que parece impossível de ser eliminado" --> Nada a comentar, esse excerto já valeu o texto todo. Cru, objetivo e, infelizmente, real.

- "Quanto mais dinheiro você tem, mais problemas você pode resolver na conversa ou comprar uma 'solução'. Eu percebi que no Brasil um monte de coisas (e funcionários) estão à venda" --> O que dizer? É a mais pura realidade.

- "A grande maioria das pessoas aqui trabalham duro, muitas vezes fazendo longas horas e ganhando pouco. Mas quando o trabalho termina os brasileiros gostam de ver a família, socializar, tomar uma bebida e festar. Isto é o que eu gosto daqui" --> Taí uma coisa boa, da qual tenho orgulho: o calor do povo brasileiro é único.

Mais uma vez: não deixe de ler o texto original, está no blog "Nossa Vida na Nova Zelândia", da Jeanine Almeida.


quinta-feira, 2 de junho de 2011

A importância do planejamento no longo prazo

O que é longo prazo para você? Um ano? Dois? Cinco? Dez anos?

O conceito de longo prazo é bastante relativo. Quando falamos em longo prazo para aplicações financeiras, estamos falando de 2 anos. Quando o assunto é o desenvolvimento sólido de uma carreira profissional, a coisa é um pouco diferente: 10 anos ou mais. De qualquer forma, o que importa não é o tempo em si, mas sim o modo de agir perante uma ideia, proposta ou problema. Sem planejamento, paciência e determinação não há longo prazo, apenas atitudes isoladas que não pertencem a um plano maior e que, na maioria das vezes, são tomadas por impulso e movidas pelo imediatismo.

A história que vou contar abaixo é um exemplo de como um planejamento de longo prazo bem feito e seguido à risca levou a resultados extraordinários que não teriam sido alcançados caso a abordagem tivesse sido a famosa "construção do avião durante o voo".

É uma longa história - afinal estamos falando de longo prazo - e começa antes mesmo de eu decidir começar o processo de obtenção do visto de trabalho australiano. Quando comecei a analisar a possibilidade de trabalhar no exterior, fiz uma pesquisa sobre qual país ofereceria a melhor demanda por profissionais na minha área (desenvolvimento de software) aliada a bons salários. Nessa pesquisa o que fiz basicamente foi enviar emails prá brasileiros de todo canto do mundo perguntando sobre o mercado de trabalho local, pesquisar vagas para a minha área nos maiores sites de recrutamento de cada país e entender as possibilidades (ou não) de se conseguir um visto de trabalho para esses países.

Depois de me decidir pela Austrália, comecei o processo do visto, que levaria em torno de um ano e meio. Para esse período todo, tracei uma estratégia de estudos e obtenção de certificações baseada no que o mercado australiano pedia. Meu processo de visto foi extremamente rápido (saiu 5 meses depois da aplicação), mas só me mudei para a Austrália efetivamente 10 meses depois da obtenção do visto, porque decidi seguir meu plano inicial de estudos e qualificações.

Três meses antes da viagem, saí do meu trabalho para me dedicar somente à viagem: basicamente o que fiz foi estudar inglês, encerrar quaisquer pendências no Brasil, preparar procurações para meus pais, abrir conta bancária em Sydney e me despedir dos familiares e amigos.

Um mês antes da viagem, a busca por empregos começou. Comecei a estabelecer contatos com vários brasileiros da área de TI que estavam empregados na Austrália e sondei sobre os processos de entrevistas, currículos e salários. Consegui vários exemplos de currículos com eles, que usei para o meu ao padrão australiano. Tendo um CV inicial, me cadastrei nos principais sites de recrutamento recomendados pelos brasileiros que conheci e comecei a mandar o CV para as vagas que pareciam se encaixar com o meu perfil. Importante frisar que para cada vaga normalmente foi preciso adaptar várias coisas no CV, por isso o processo de aplicação para cada vaga levava em média 20 minutos.

Todo dia eu recebia avisos de novas vagas e aplicava para as que considerava interessantes. Apliquei para um total de 93 vagas e obtive em torno de 40 respostas, tanto positivas quanto negativas (muitos nem me retornaram). Por fim, estava participando de 12 processos ainda no Brasil, fazendo entrevistas por telefone ou Skype. Dos 12 processos, 5 já tinham entrevista marcada para a minha primeira semana na Austrália.

Desembarquei em Sydney na Terça-Feira, dia 22/02/2011, e na Quarta-Feira já tinha duas entrevistas. Na primeira já recebi uma proposta que considerei boa e fiquei tentando a aceitar, mas não o fiz de imediato. Fui para a segunda entrevista e lá pedi o mesmo valor que me havia sido oferecido na primeira e a resposta foi que era um valor muito alto para o meu nível de experiência. Foi a confirmação que faltava para que eu aceitasse de vez a proposta anterior.

Hoje, três meses depois, já estou no meu segundo emprego em Sydney e, junto com minha namorada, estamos numa situação extremamente confortável em todos os aspectos.

Quer melhor exemplo de estratégia de longo prazo bem sucedida? Bastantes brasileiros decidem que querem ir trabalhar na Austrália mas não têm a paciência e a força de vontade para fazer o processo todo do visto de trabalho - em outras palavras, não sabem lidar com o longo prazo. O que essas pessoas fazem normalmente é pagar um curso de inglês de alguns meses e viajar com o visto de estudante, que sai em menos de um mês - olha o imediatismo aí! Acontece que, ao chegar à Austrália, se deparam com um mercado de trabalho que, se por um lado é extremamente aquecido, por outro não dá a menor chance (salvo raríssimas exceções) para quem tem visto de estudante. Aí cai a ficha e a pessoa se arrepende por ter vindo no impulso.

Não importa se o longo prazo para o seu projeto, ideia ou problema é 1 mês ou 10 anos. O importante é ter um planejamento, segui-lo à risca e manter-se focado sempre no resultado final, mesmo quando as coisas parecerem distantes e inatingíveis.

Quem quiser entrar em contato para perguntar sobre qualquer coisa (posso inclusive ajudar com o processo de visto!), por favor fique à vontade. É sempre um prazer poder ajudar e fazer novas amizades.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Tem coisa que é foda

Perdoem a minha indignação, mas tem coisa que é foda. Só prá relembrar: estamos no século 21, idade contemporânea, da democracia e, principalmente, da MERITOCRACIA (que, em poucas palavras, nada mais é do que o reconhecimento pelo mérito das conquistas próprias - entenda-se LUTA, SUOR, TRABALHO).

OK.

Agora alguém me explica porque tem 2 bilhões de pessoas assistindo o casamento de um cara que não fez nada a não ser nascer? Alguém me explica porque tem um monte de gente nas ruas de Londres ovacionando algumas pessoas que também não fizeram nada além de nascer? Alguém me explica como pode ainda existir a história de "sangue real"?

Como pode, em pleno século 21, alguém ser idolatrado sem ter feito absolutamente NADA???

Idolatrar artistas hollywoodianos que, independente de serem muito ou pouco talentosos, ficaram famosos também POR MÉRITO PRÓPRIO, através de muito trabalho e persistência, tudo bem;
Idolatrar músicos e bandas que, tendo ou não talento, conseguiram o estrelato num mercado competidíssimo que é o musical, com trabalho e dedicação (MÉRITO PRÓPRIO), tudo bem;
Idolatrar o Obama, que veio do nada e se tornou presidente dos Estados Unidos POR MÉRITO PRÓPRIO, tudo bem;
Até idolatrar o Lula, que, por pior que seja, era metalúrgico e chegou à Presidência do Brasil com muito suor e obstinação (MÉRITO PRÓPRIO), tudo bem.

Mas idolatrar um cara - e não só ele, como também a rainha, a noiva, a mãe da noiva, a cunhada da prima da vizinha da noiva... - que não conquistaram porra nenhuma por mérito próprio?

Transmitir um casamento em todos os portais da Internet? A mídia fazer disso um show de entretenimento, com pessoas comentando as cores do vestido e o jeito de caminhar da "nobreza"? Pior: um monte de gente parar tudo e ficar assistindo?

Não estou dizendo que são pessoas más - pelo contrário. Pelo que a mídia mostra, parecem ser pessoas boas, de bons princípios e boa índole. Só não me entra na cabeça essa história de Sangue Real. Isso é coisa da Idade Média.